
Em 8 de maio de 2026, KF lançou Daqui a incontáveis eras, ainda estarei aqui, um álbum de 21 faixas e 1 hora e 21 minutos. O disco veio depois de Para alguém, algum dia no futuro, de 18 de julho de 2025, e foi seguido por O Fim da Velho Oeste Town, de 18 de setembro de 2026, com duas faixas, e pelo single Lugar Escuro, com Akami, de 16 de outubro de 2026. É a maior e mais ambiciosa publicação do artista até aqui.
A escala é o recado. Onde os lançamentos anteriores funcionavam como contos isolados, o álbum de 2026 transforma Velho Oeste Town em estrutura. A cidade deixa de ser cenário e passa a organizar o tempo, os personagens e a própria duração do disco. Com 21 faixas, KF se aproxima do romance de folhetim, um formato que o rap brasileiro raramente tenta nessa extensão.
A cronologia ajuda a ler o projeto. O Conto de Maria, de 16 de abril de 2021, apresentou o território; O Conto de Maria 2, de 4 de outubro de 2024, retomou o fio inicial. O título do álbum funciona como declaração de permanência, e não como simples continuação. É o artista dizendo que o universo sobrevive ao lançamento.
O risco é proporcional à ambição. Uma hora e 21 minutos exigem um tipo de atenção que o streaming raramente oferece, e a sequência longa pode diluir o impacto dos capítulos mais fortes. O lançamento seguinte, chamado O Fim da Velho Oeste Town, anuncia um encerramento que o álbum não entrega de forma definitiva. Quem esperava um desfecho claro pode sair com a sensação de que a história foi interrompida, não concluída.
Ainda assim, o disco é o movimento certo para um artista que construiu tudo sozinho, do microfone do celular à cidade imaginária. KF não tenta competir com o mercado de singles rápidos. Ele aposta na memória de quem acompanha a saga desde 2021. Lugar Escuro, curto e posterior ao álbum, funciona como epílogo possível, mas não como ponto final. Talvez seja essa a intenção.
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