Crises, primeiro álbum de Hiosaki, saiu em 14 de fevereiro de 2019 com oito faixas e 19 minutos e 44 segundos, pelo selo Sadstation. É um disco curto, com faixas entre 1 minuto e 51 segundos e 3 minutos e 20 segundos, e essa pressa é a primeira coisa que ele comunica.
A sequência vai de Eu Odeio Amar Você, com 3 minutos e 20 segundos, a Uma música triste sem qualidade, com 3 minutos e 3 segundos, passando por O foda é que ela nem liga, refineJ, Última pra você, Única pra mim, Desculpa e Eu vou ter que esquecer você. Os títulos são mensagens, não metáforas.
O acerto é a escala. Hiosaki não tenta explicar o término em uma canção longa: distribui o assunto em oito blocos e deixa cada um terminar antes de virar desabafo. O álbum funciona como uma pasta de rascunhos enviados no mesmo dia, e a coerência vem do tom, não da narrativa.
O limite é a uniformidade. Com oito faixas curtas sobre o mesmo tema, algumas passam sem deixar marca, e a última, que se chama Uma música triste sem qualidade, transforma a autodepreciação em piada e enfraquece o fecho. O disco não tem um centro dramático, apenas uma sequência de estados.
Ainda assim, é uma estreia coerente. Crises escolhe urgência em vez de acabamento e estabelece o método que Hiosaki levaria aos singles seguintes: dizer o essencial em menos de três minutos. Para quem chega agora, é o retrato de um artista começando com o que tinha à mão.
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