Atemporal saiu em 13 de março de 2020, com selo Sadstation e crédito dividido entre Sadstation e VMZ. São cinco faixas e 19 minutos e 15 segundos, um EP curto que funciona como a outra metade do trabalho do rapper: aqui não há personagem de anime, e os títulos falam de estados internos.
A abertura é A Prova de Balas, com 2 minutos e 30 segundos, a faixa mais curta do conjunto. É também a mais direta: entra, apresenta a ideia e sai antes de repetir o argumento. A escolha de abrir com a canção mais curta diz algo sobre o EP, que prefere cinco movimentos rápidos a um discurso longo.
O miolo concentra as faixas mais extensas. Depressão tem 4 minutos e 11 segundos, Prisão de Sentimentos chega a 4 minutos e 25 segundos e Memórias, a mais longa do EP, tem 4 minutos e 30 segundos. São três títulos de interior, e a duração maior dá espaço para que cada um desenvolva o próprio clima em vez de correr para o refrão.
Essa Noite fecha o EP com 3 minutos e 39 segundos e muda o tempo do disco outra vez, voltando ao formato mais curto depois do bloco central. A ordem funciona como uma respiração: a faixa mais curta abre, as mais longas ocupam o meio e o encerramento enxuga o que vinha sendo esticado.
Para quem conhece VMZ pelos raps de personagem, Atemporal é o complemento necessário. O próprio rapper descreve esse repertório como um projeto secundário, de músicas que não dependem da cultura nerd, e a parceria com a Sadstation coloca o EP dentro da cena de rap melancólico brasileiro, não na prateleira de anime. É um disco de transição, feito para mostrar que existe um artista por trás do personagem.
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