A Aberração de Chernobyl, primeiro álbum de Akaimanto, saiu em 15 de novembro de 2018 com oito faixas e 25 minutos e 21 segundos. É um disco curto, de faixas entre 2 minutos e 4 minutos e 11 segundos, e essa economia é a primeira decisão estética do projeto: nenhuma música dura o suficiente para explicar o monstro que apresenta.
A sequência alterna terror e afeto. A faixa-título, Doce Solidão e Surto abrem um bloco de tensão; O Rei da Encruzilhada e Paralisia do Sono levam o imaginário para a encruzilhada e para o quarto; Um Velho Pirata e Vestido Azul Xadrez mudam o registro; Como Se Fosse a Primeira Vez fecha com uma canção de amor.
O acerto é tratar o horror como gênero de narrativa, não como adjetivo. Cada título é uma cena, e o álbum se organiza como uma coleção de contos de quatro minutos. O lançamento sai com selo em nome do próprio artista, sem gravadora creditada nas plataformas, o que reforça o caráter de projeto autoral.
O problema é a falta de espinha. O disco não elege um fio condutor entre as oito faixas, e a última canção, mais leve, dissolve a tensão em vez de arrematar. O resultado é uma soma de boas ideias que ainda não se comportam como álbum, e sim como uma fita de favoritas.
Para um primeiro álbum, o saldo é promissor. A Aberração de Chernobyl mostra um artista que já sabe o que quer contar e ainda está aprendendo a ordenar o susto. Os lançamentos seguintes, de Ouija a Espantalho do Mal, confirmam que o catálogo cresceu sem perder o gosto pelo conto.
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